O aumento do salário mínimo para R$ 880 alegrou os brasileiros que estavam com a corda no pescoço, no entanto, não suavizou os pagamentos de contas, já que a alta prevista da inflação é de 10,8% para 2016. Com tantos acréscimos dados pelo governo federal, a adição de 11,7% no salário mínimo passa longe de ser justa.

O doutor em Ciência Política, Leonardo Sakamoto, publicou em seu blog o artigo “Três formas para convencer os pobres que aumentar o salário mínimo é ruim”, fazendo uma análise sobre o assunto no fim de 2015. Sakamoto dispara que o governo erra em vincular o acréscimo do salário de aposentados ao da população economicamente ativa. “Eles não podem receber aumentos na mesma proporção. Quem vende sua força de trabalho merece comer, pagar suas dívidas, comprar remédios e etc”.

 

Qual é o erro do governo federal na política de aumento do salário mínimo?

O governo deve desvincular primeiramente a Previdência Social deste aumento. Os aposentados não podem receber aumentos na mesma proporção que a população economicamente ativa. Quem pode vender sua força de trabalho merece comer, pagar aluguel, comprar remédios, etc. O governo tem que se preocupar em garantir a manutenção para o capital. Para que gastar com quem já não é tão útil à sociedade, já que temos tantas dívidas públicas para serem pagas? O melhor seria instituir que, chegando certa idade, os idosos mais pobres deveriam se destinar a instituições de reciclagem.

 

As pessoas entendem qual é a importância de se aumentar o salário para a economia brasileira?

Não é o aumento do mínimo que vai distribuir renda e sim o crescimento da economia. Considerando que nossa concentração de riqueza é uma das mais altas do mundo, percebe-se o tipo de resultado que dá essa fórmula. Além do mais, salário mínimo não é programa de distribuição de renda, é uma remuneração mínima e insuficiente por um trabalho feito. Não é caridade e sim uma garantia institucional de um mínimo de pudor por parte dos empregadores e do governo. O melhor é ter que ouvir que a população tem que entender.

 

Qual deveria ser o mínimo para que o trabalhador brasileiro não passasse aperto? 

O mínimo mensal necessário para manter uma família com até duas crianças deveria ser de R$ 3.399,22. O cálculo é feito mês a mês desde 1994 pelo Dieese. O aumento geralmente considera o que está na Constituição: salário fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender às suas necessidades vitais básicas e às de sua família. Entre os custos entram, moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte, previdência social etc. Ou seja, ele é reajustado com a ideia de preservar o poder aquisitivo. No entanto, como já sabemos o artigo 7º, inciso IV, da Constituição Federativa do Brasil, que trata dessa questão, é uma piada.

 

O reajuste de 11,7% representa um gasto estratosférico?

Cada real  a mais no salário acarreta um aumento de bilhões para o governo federal. Mas esse quadro poderia ser diferente, caso fossem cobradas das grandes empresas sonegadoras da Previdência o que elas deveriam pagar. Deste modo, o rombo não seria tão grande. Mas isso é de interesse de quem? Dos representantes políticos que receberam doações de campanhas dessas mesmas empresas.

 

Em um ano de recessão, não seria inteligente diminuir as horas trabalhadas de 44h para 40h, já que muitos não estão recebendo esses extras?

Existe em tramitação uma possivel mudança da jornada de trabalho semanal de 44h para 40h. A última redução ocorreu há 25 anos. O Dieese calculou que uma jornada de 40h com manutenção de salário aumentariam os custos de produção em apenas 1,99%.  Enquanto que a qualidade de vida do trabalhador seria muito maior, pois ele teria mais tempo livre. Há uma proposta de emenda constitucional que propõe isso e a mudança para 75% no valor a ser acrescido na remuneração das horas extras.